República Portuguesa · Autarquia Local
Território, identidade, comunidade

A Freguesia

A configuração humana da Campolide atual resulta em grande parte, da muita gente que foi necessária para as obras de construção do monumental Aqueduto das Águas Livres. Daí que desde o século XVIII se tenham distinguido duas áreas urbanas na freguesia, uma inicialmente para os “mestres”, com melhores condições de residência, e outra para os “operários”, improvisada e semeada de barracas. As transformações viárias e urbanas das últimas décadas alteraram significativamente a condição destes últimos, sem no entanto retirar o carácter ao velho sítio de Campolide, cuja história e tradições merecem ser melhor conhecidas e revalorizadas. E se os problemas derivados da estratificação social antiga têm vindo a ser de algum modo atenuados, as suas marcas e memórias persistem no quotidiano e na realidade social de comunidade de Campolide.

Ao longo do tempo

História

No território que hoje constitui a freguesia de Campolide, são conhecidos vestígios de ocupação humana desde os alvores da Pré-História. Várias estações arqueológicas estão referenciadas na área de Campolide, desde o Paleolítico Inferior (Alto da Serafina, Calçada dos Mestres, Casal do Sola, Terras do Pita, Santana, Rabicha) ao Neolítico e Calcolítico (Sete Moinhos, Vila Pouca). A maioria dessas estações está hoje destruída, e o seu espólio está disperso pelos museus Nacional de Arqueologia, dos Serviços Geológicos, e da Cidade. Durante a construção do túnel do Rossio (do lado de Campolide chamado da Rabicha) encontraram-se duas galerias para exploração de sílex, matéria-prima essencial para o fabrico de armas e utensílios, antes da generalização do uso dos metais. Dos períodos Romano e Visigótico não são conhecidos vestígios em Campolide e a presença muçulmana só pode ser atestada pelo topónimo. O arabista David Lopes demonstrou que Campolide significa “campo de Olide”, sendo Olide nome árabe de homem, referenciado na documentação medieval desde o séc. IX e que está presente noutros topónimos, como por ex. Povolide (póvoa de Olide) e Valhadolide (cidade de Olide). A julgar pelas mais antigas referências conhecidas (sécs. XII e XIII), a evolução da palavra terá ocorrido da seguinte forma: Campoliti> Campolidi> Campolide. Outras explicações foram apresentadas por Duarte Nunes de Leão (séc. XVI), que considerava ser o “campo em que os da lide estavam alojados” durante o cerco de Lisboa pelos castelhanos, em 1384 (porém há quem diga que este campo de lides se referia a garraiadas, enquanto outros se referem a amanho de terra e outros ainda a escaramuças com invasores); e por Júlio de Castilho, para quem teria origem num campo dos “lites” (nome dado aos escravos libertos pelos Godos) e que estes teriam sido os colonizadores desta área. No entanto, Norberto de Araújo, autor de “Peregrinações em Lisboa” põe de parte estas explicações, porque já em 1147, o cruzado Osberno se referia à zona de Santos por “Campolet” ou “Campolit”, e em 1211 se referia que o Rei D. Afonso II possuía “duas víneas in Campolide”.

Onde estamos

Território

Campolide é uma freguesia do concelho de Lisboa, situada na zona ocidental da cidade, com uma área de aproximadamente 3,27 km². O seu território é marcado por um relevo acidentado, com vales e colinas típicos da topografia lisboeta, numa faixa de transição entre o centro histórico e os bairros mais a ocidente. A freguesia é atravessada pela linha ferroviária do Rossio, que inclui o célebre túnel homónimo, e tem como referência paisagística marcante o Aqueduto das Águas Livres, que percorre o seu território. A poente, faz fronteira com o Parque Florestal de Monsanto, o maior espaço verde de Lisboa, conferindo à freguesia um carácter singular de transição entre a malha urbana densa e o espaço natural. O território integra zonas como as Amoreiras, o Rato e a envolvente da Avenida Engenheiro Duarte Pacheco, áreas que ao longo do século XX foram alvo de profundas transformações urbanísticas. Campolide confina a norte com Benfica e Carnide, a sul com as freguesias de Misericórdia e Santa Maria Maior, a este com Avenidas Novas e Santo António, e a oeste com o Parque Florestal de Monsanto.

Fronteiras
  • N Benfica e Carnide
  • S Misericórdia e Santa Maria Maior
  • E Avenidas Novas e Santo António
  • O Parque Florestal de Monsanto
Identidade heráldica

Símbolos

Brasão

Escudo de verde, com cruz patriarcal de ouro acompanhada em flanco destro de cacho de uvas de púrpura folhado de prata e em flanco sinistro de espiga de ouro. Coroa mural de prata de três torres. Listel branco com a legenda a negro "FREGUESIA DE SÃO LOURENÇO DO BAIRRO".

Bandeira

Bandeira esquartelada de verde e branco. Cordão e borlas de ouro e verde. Haste e lança de ouro.

Conhecer o território

Património

Monumento

Aqueduto das Águas Livres

Projetado por Carlos Mardel, este aqueduto do século XVIII foi fundamental no abastecimento de água a Lisboa. O seu viaduto sobre o vale de Alcântara, ex-libris da freguesia, tem 14 arcos em ogiva — com o Arco Grande a atingir 65 metros de altura, o maior arco ogival do mundo. Concluído em 1744, sobreviveu ao terramoto de 1755, é monumento nacional desde 1910 e esteve em funcionamento até 1967.

Edifício religioso

Igreja de Santo António de Campolide

Construída sobre uma antiga capela setecentista, foi inaugurada a 30 de abril de 1884 pelo Colégio de Campolide dos jesuítas. Encerrada em 1910 com a extinção do colégio, retomou a atividade em 1938. O interior distingue-se pelos vitrais originais e pelo trabalho de marcenaria das balaustradas, considerado único nas igrejas de Lisboa.

Edifício civil

Estação de Campolide

As obras da linha de Sintra arrancaram em 1883, transformando para sempre a freguesia. A ligação com Alcântara ficou pronta em 1886 e o túnel do Rossio, cujas escavações começaram em Campolide em 1887, abriu em 1891. Entre 1995 e 1996 foi construída uma nova estação. A torre de controle, de 1940, foi desenhada pelo Arquiteto Cottinelli Telmo.

Edifício civil

Comando de Polícia Municipal

Sediada na Rua Cardeal Saraiva, a Polícia Municipal de Lisboa foi criada a 12 de setembro de 1891, com estatuto próprio distinto das demais polícias municipais do país. A sua missão é contribuir para a qualidade de vida dos cidadãos, fiscalizando leis e regulamentos, cooperando com as forças de segurança e regulando o trânsito no município.

Geografia humana

Lugares

  1. 01

    Aqueduto das Águas Livres

    Monumento nacional do século XVIII que atravessa a freguesia, com o seu imponente viaduto sobre o vale de Alcântara.

  2. 02

    Balneário

    Equipamento municipal de apoio à higiene pública, testemunho da política social de Lisboa na primeira metade do século XX.

  3. 03

    Comando de Polícia Municipal

    Sede da Polícia Municipal de Lisboa, fundada em 1891, localizada na Rua Cardeal Saraiva.

  4. 04

    Escola Mestre Querubim Lapa

    Estabelecimento de ensino básico da freguesia, homenageando o ceramista e escultor português Querubim Lapa, natural de Lisboa.

  5. 05

    Estação de Campolide

    Nó ferroviário da linha de Sintra, cuja história remonta a 1886, com torre de controle de 1940 desenhada por Cottinelli Telmo.

  6. 06

    Igreja Paroquial de Santo António de Campolide

    Templo inaugurado em 1884, de influência jesuítica, com vitrais originais e balaustradas de marcenaria únicas nas igrejas de Lisboa.

  7. 07

    Mesquita Central de Lisboa

    Uma das maiores mesquitas da Europa Ocidental, inaugurada em 1985, símbolo da presença da comunidade muçulmana em Portugal.

  8. 08

    Palácio da Justiça

    Edifício monumental de arquitectura do Estado Novo, inaugurado em 1961, sede dos principais tribunais de Lisboa.

  9. 09

    Painéis da Avenida Gulbenkian

    Conjunto de painéis de azulejo que decoram a avenida, integrando a tradição azulejar portuguesa na paisagem urbana contemporânea da freguesia.

  10. 10

    Teatro Aberto

    Sala de teatro independente com forte ligação à criação contemporânea, referência da vida cultural da cidade desde a sua fundação.